Desafio Cinematográfico: Fevereiro

Em fevereiro, dei sequência ao Desafio Cinematográfico do blog Faltou Foco, que consiste em assistir a um filme inédito para mim por semana. O título deve se encaixar em categorias propostas, sendo 52 filmes/categorias durante o ano.

Mesmo após ter retornado das férias da faculdade, ainda não tive problemas em assistir aos filmes do mês. Acredito que a partir do mês de março terei de fazer pesquisas para decidir qual filme vou assistir visando encaixar este em uma das categorias. Afinal, as categorias “fáceis” já estão acabando.

Abaixo estão listados os quatro filmes do mês de fevereiro. Ressalto que me policiei para não escrever nenhum spoiler sobre os filmes (me desculpa caso tenha passado algo).

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5 – Tenha um/a cantor/a como coadjuvante: Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures – 2016)

estelas-alem-do-tempoBaseado no livro homônimo de Margot Lee Shetterly, “Estrelas Além do Tempo” narra a trajetória de Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), mulheres negras que contribuíram para as primeiras missões da Nasa. O filme é dirigido e roteirizado por Theodore Melfi, se tornando o de maior notoriedade do diretor.

O título foi bem recebido pela crítica, alavancando a bilheteria nos cinemas. As atuações foram bastante elogiadas, com destaque para  Janelle Monáe e Octavia Spencer, sendo essa última indicada ao Globo de Ouro e Óscar de melhor atriz coadjuvante. Ainda houveram duas outras indicações ao Óscar, para melhor filme e melhor roteiro adaptado.

A categoria do desafio propõe um filme que tenha um/a cantor/a como coadjuvante. Escolhi este pois traz em seu elenco Janelle Monáe, que deu inicio em sua carreira como atriz em 2016 atuando neste e em outro filme que recebeu bastante destaque nessa temporada, o “Moonlight: Sob a Luz do Luar” (“Moonlight” – 2016).  Na música, Monáe ganhou bastante notoriedade com seu EP “Many Moons”, lançado em 2009 e que lhe rendeu uma indicação ao Grammy, feito repetido em 2010, quando lançou seu álbum “The ArchAndroid”.

6 – Musical contemporâneo: La La Land: Cantando Estações (La La Land – 2016)

la-la-land-cantando-estacoesGrande destaque da temporada 2016-2017, “La La Land: Cantando Estações” é um musical dirigido e escrito por Damien Chazelle, que também foi responsável pela direção e roteiro de “Whiplash – Em busca da perfeição” (“Whiplash” – 2014), filme que recebeu cinco indicações ao Óscar e venceu três categorias, incluindo a de ator coadjuvante para J. K. Simmons.

O enredo segue o romance de um músico e uma aspirante a atriz que se conhecem e se apaixonam em Los Angeles, sendo protagonizado por Emma Stone e Ryan Gosling, indicados a melhor atriz e ator no Óscar. O título do filme é uma referência a expressão “lalaland” que, segundo o Wikipédia, se trata de um “lugar fictício onde as pessoas vivem fora de contato com a realidade e ideias absurdas surgem; muitas vezes, utilizado, de forma sarcástica, a alguém que está desatento ou aficionado com algo”.

No Óscar 2017, “La La Land” recebeu quatorze (!!!) indicações, igualando o recorde de “Titanic” (1997) e “A Malvada” (“All About Eve” – 1950) de maior número de indicações em uma edição. Dessas, venceu em seis categorias: melhor diretor, atriz, trilha sonora, canção original, direção de arte e fotografia. No Globo de Ouro, recebeu sete indicações e venceu todas, incluindo melhor comédia/musical, ator e atriz em comédia/musical.

7 – Filme nacional premiado pela mídia estrangeira: Aquarius (2016)

aquariusEste foi o primeiro filme que escolhi assistir especificamente para uma categoria do desafio. É dirigido e roteirizado por Kleber Mendonça Filho, que também é responsável pelo roteiro e direção de “O Som ao Redor” (2013). “Aquarius” é um filme franco-brasileiro protagonizado por Sônia Braga e que gira em torno de Clara. Ela é moradora de um antigo prédio na orla da praia de Boa Viagem, Recife, e se recusa a deixar seu apartamento mesmo com as investidas de uma construtora que visa construir um novo prédio no local.

O filme foi muito bem recebido pela crítica nacional e internacional, rendendo elogios a direção, ao roteiro e as atuações, principalmente de Sonia. Surgiu uma polêmica em torno da obra devido a um manifesto realizado no Festival de Cannes, em que a equipe do filme mostrou cartazes que alertavam ao golpe que se deu no Brasil em 2016. Iniciou-se, então, um possível boicote ao filme: a classificação indicativa foi de 18 anos, o que certamente restringe o público, e na corrida pelo Óscar acabou ficando de fora, mesmo sendo o título favorito a concorrer.

Como a categoria do desafio propõe, “Aquarius” recebeu diversas indicações e venceu vários prêmios e festivais internacionais, entre eles: Festival de Sydney, Festival de Transatlantyk, Festival de Lima, Festival World Cinema Amsterdam, Festival Biarritz Amérique Latine, Prêmio Fênix, San Diego Film Critics Society Awards, Festival de Havana e outros. No Brasil, o filme recebeu o Troféu APCA de melhor filme e melhor roteiro. Também é preciso destacar a indicação ao César de melhor filme estrangeiro.

8 – Filme com protagonistas negros: Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight – 2016)

moonlight-sob-a-luz-do-luar“Moonlight: Sob a Luz do Luar” é o segundo filme dirigido e escrito por Barry Jenkins. Trata-se da adaptação da peça “In Moonlight Black Boys Look Blue”, de Tarell Alvin McCraney. O filme narra a trajetória de Chiron, que tenta escapar da criminalidade e do mundo das drogas em Miami enquanto vai se descobrindo e se aceitando, além de lidar com a mãe viciada em drogas. É dividido em três partes, retratando Chiron na infância (Alex Hibbert), na adolescência (Ashton Sanders) e depois quando adulto (Trevante Rhodes) e então conhecido como “Black”.

É um dos filmes favoritos da temporada, sendo que já recebeu indicações e venceu diversos prêmios, incluindo Globo de Ouro de melhor filme de drama. No Óscar foi indicado a oito categorias, vencendo a de melhor filme, ator coadjuvante (Mahershala Ali) e de roteiro adaptado.

Escolhi este título para a categoria do desafio pois traz grande parte do elenco composto por negros, incluindo o diretor/roteirista e o escritor da peça em que o filme de baseia. “Moonlight” é um importante filme quando tratamos de representatividade de minorias.

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Com exceção de “Aquarius” e “Cake – Uma Razão Para Viver”, todos os outros seis filmes que assisti para o desafio estavam na corrida pelo Óscar. Agora que a cerimônia já aconteceu, acredito que vou assistir a filmes que não são dessa temporada com o intento de preencher as categorias.

O desafio está me animando bastante! Como eu já disse anteriormente, esta foi uma forma que encontrei de me fazer consumir arte e está me fazendo muito bem! Estou ansioso para chegar ao final do desafio e poder fazer um apanhado de tudo que assisti.

Nos vemos no próximo mês!

[Falta de] Organização

É comum as pessoas dizerem que sou bastante organizado. No trabalho, em casa, na faculdade. Sim, me esforço muito para manter um certo nível de organização, mas tem sido bastante complicado. Por exemplo, me organizei para assistir a um filme por semana e a ler dois livros por mês. Tenho conseguido realizar o que havia planejado, mas com bastante esforço.

Acontece que não sou muito bom em dividir meu tempo. Não consigo priorizar algumas tarefas em detrimento de outras e isso é frustrante. Nem mesmo o meu tempo para lazer é bem aproveitado, sendo preenchido com vídeos do YouTube ou jogos de celular. Triste.

Um amigo me disse uma vez que me cobro demais, que preciso relaxar e realizar as coisas em seu tempo. Talvez ele esteja certo. A vida é repleta de surpresas, cada dia é uma nova realidade e precisamos estar dispostos a encarar tudo e procurar não enlouquecer no caminho.

O terceiro semestre da faculdade está para começar e estou preocupado em como manterei tudo de pé, conciliar tudo e todos. Isso é sofrer por antecedência, eu sei, mas é algo que me angustia sempre. Não é a primeira vez que estou voltando de férias e não será a última. O que me assusta é que as coisas não estão se tornando mais fáceis. Pelo contrário, estão cada vez mais difíceis.

No final, sempre acabo abrindo mão de coisas que julgo não serem importantes e depois me arrependo. Isso está se tornando uma rotina, um loop que não tem fim. Não quero que aconteça novamente. Não.

Tarefa de casa para mim mesmo: procurar métodos e modos de me organizar, buscando dar conta de tudo que me comprometi e reservar uma (boa) parte do tempo para desanuviar. Ah! e manter o blog de pé, é claro.

Dois mil e dezessete vai começar e espero que todos (inclusive eu) estejam preparados.

Abraços!

Desafio Cinematográfico: Janeiro

O primeiro mês do Desafio Cinematográfico proposto pelo blog Faltou Foco foi concluído com sucesso. A proposta é de assistir a um filme inédito para mim por semana e este precisa se encaixar em uma das categorias previamente definidas. No total, serão 52 títulos ao longo deste ano.

Como o desafio está apenas no começo, é possível assistir a qualquer filme e depois buscar encaixe em alguma categoria. Entretanto, conforme o desafio e o ano avançam, a tarefa se tornará mais complexa, exigindo que seja escolhida primeiro a categoria e depois ocorra a busca pelo filme. Estou animado com a tarefa!

Sem mais delongas, vamos a listagem de filmes assistidos e suas respectivas categorias escolhidas por mim. Lembrando que não há spoilers nos comentários que fiz (eu acho).

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1 – Filme com personagens criando um filme secundário: Animais Noturnos (Nocturnal Animals – 2016)

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Segundo filme dirigido por Tom Ford, “Animais Noturnos” é um suspense dramático que conta com Amy Adams e Jake Gyllenhaal como protagonistas. O filme é baseado no romance “Tony & Susan” (1993), escrito pelo norte-americano Austin Wright, sendo o roteiro assinado pelo próprio diretor.

Ford é estilista e foi o responsável pela revitalização da famosa marca Gucci. Seu filme de estréia foi o aclamado “Direito de Amar” (“A Single Man” – 2009), que rendeu várias indicações ao ator Colin Firth.

As atuações do filme foram bastante elogiadas, rendendo um Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante a Aaron Taylor-Johnson. No Óscar, houve apenas uma indicação por melhor ator coadjuvante para Michael Shannon.

Como a categoria do desafio propõe, o filme possui duas histórias paralelas que são contadas pelos próprios personagens. E o mais interessante é a forma como elas são contadas e o significado que possuem em relação aos personagens.

2 – Uma única palavra ou verbo como título: A Chegada (Arrival – 2016)

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O ano mal começou e já assisti a um dos meus filmes favoritos. “A Chegada” também é protagonizado por Amy Adams e se trata de uma ficção científica baseada no conto “História da Sua Vida”  (“Story of Your Life” – 1998) de Ted Chiang.

O roteiro é assinado por Eric Heisserer, conhecido por filmes como “Premonição 5” (“Final Destination 5” – 2011) e a refilmagem de “A Hora do Pesadelo” (“A Nightmare on Elm Street” – 2010). Já a direção é de Denis Villeneuve, que também dirigiu o indicado ao Óscar de melhor filme estrangeiro “Incêndios” (“Incendies” – 2010) e “O Homem Duplicado” (“Enemy” – 2013), baseado no livro homônimo de José Saramago, entre outros filmes.

Longe de ser um filme “comum” sobre extraterrestres, “A Chegada” é inteligente e tocante. Suas quase duas horas de filme são permeadas por mistério e emoção. A atuação de Amy Adams proporcionou sua indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz, mas na corrida pelo Óscar ela acabou ficando de fora. Ainda assim, o filme recebeu 8 indicações, incluindo de melhor filme, direção e roteiro adaptado.

A categoria que escolhi para este filme propõe apenas uma palavra ou verbo como título. A minha escolha se baseou no título em inglês, composto apenas do substantivo, sendo que apenas na tradução foi inserido artigo “a” (estou me explicando porque não quero ser julgado pelas pessoas).

3 – Com protagonista acima de 60 anos: Elle (2016)

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A parceria franco-belga-alemã é dirigida por Paul Verhoeven e o roteiro ficou por conta de David Birke. O filme é baseado no livro “Oh…” (2010) de Philippe Djian, sendo um suspense psicológico que trata do estupro de forma bastante polêmica.

Protagonizado pela experiente Isabelle Huppert, o filme foi aclamado pela critica e indicado a inúmeras premiações. No Globo de Ouro, foi nomeado como melhor filme estrangeiro e rendeu a Huppert a estatueta de melhor atriz na categoria drama. A atriz é, inclusive, a favorita ao Óscar de melhor atriz, a qual foi indicada.

Isabelle nasceu em 1953 e se encaixa na categoria de protagonista acima de 60 anos proposta pela desafio. A atriz deu inicio a sua carreira em 1971 e de lá pra cá já apareceu em mais de 100 filmes e produções para a tevê.

4 – Indicado ao Globo de Ouro: Cake – Uma Razão Para Viver (Cake – 2014)

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Dirigido por Daniel Barnz e roteirizado por Patrick Tobin, o filme tem Jennifer Aniston como protagonista e traz a tona o tema suicídio. A atriz foge a sua zona de conforto, já que o filme se trata de um drama e ela é conhecida por seus papéis cômicos em comédias dramáticas e na série “Friends” (1994-2004).

O roteiro não é bastante elaborado e nem se trata de um drama profundo, mas a atuação de Aniston é bastante convincente e deixa o filme interessante e emocionante.

A produção rendeu uma indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz em filme dramático, mas naquele ano Juliane Moore ganhou todas com sua maravilhosa performance em “Pra Sempre Alice” (“Still Alice” – 2014). Infelizmente, Aniston foi esnobada em outras grandes premiações (Óscar).

Como a categoria do desafio não era especifica, tomei a liberdade de escolher esse título e comentar a indicação de Jennifer como melhor atriz porque gosto muito dela e achei que ela brilhou no papel.

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Janeiro foi um mês bastante promissor e espero que o ano todo seja assim. Já tenho em mente alguns filmes que gostaria de assistir para preencher as categorias do desafio e sei que precisarei me esforçar bastante para conseguir dar conta de tudo. Afinal de contas, a faculdade já já está de volta e com ela uma rotina bastante puxada.

Por hora, estou bastante feliz com os filmes que assisti. Percebi que tenho assistido a muitos filmes novos, lançados há pouco tempo. Não é um problema, na minha opinião, mas acho interessante mesclar produções novas com aquelas mais antigas. Inclusive, há categorias do desafio que propõe exatamente isso para que tenhamos a oportunidade de variados filmes.

Até o próximo mês!